quarta-feira, 4 de março de 2009

mais uma de jean.

trecho do subtítulo contra a dublagem:

(...) devo dizer francamente que considero a dublagem uma monstruosidade. Uma espécie de desafio às leis humanas e divinas.

como se pode admitir que um homem que possua uma só alma e um só corpo assuma a voz de outro homem, igualmente possuidor de uma alma e um corpo, completamente diferentes? é um desafia sacrílego a dignidade humana. Estou absolutamente convencido de que nas grandes épocas de fervor religioso haveriam de queimar vivas as pessoas que inventaram tamanha idiotice.
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Renoir fez este desabafo numa conferência em Londres no ano de 1939. Segundo ele, este processo que, ironicamente chama de brilhante, se deu como uma forma de grandes sucessos de outros países ( ingleses e alemães, sobretudo) chegarem aos cinemas franceses sem a necessidade de refilmagem. Se tivesse presente nesta conferência faria o seguinte questionamento ao mestre: Qual seria, então, a melhor forma de assistir aos filmes estrangeiros? São três opções claras e uma nem tanto: a primeira - que obviamente descarto - é o espectador dominar todos os idiomas; a segunda é a dublagem que ele abomina e uma terceira possibilidade lógica é a legenda, método mais comum hoje em dia. Existe, ainda, outra que é voltar a fazer 'filmes mudos'. Aí sim, a integração seria novamente possível, uma vez que o cinema voltaria à 'linguagem pura'. Este era, inclusive, um dos argumentos, talvez o principal, que Chaplin utilizava para negar o 'cinema falado'. Pra finalizar, acho que a melhor maneira de se aproveitar um filme de um país de língua desconhecida [para o espectador] é a dublagem. Perde-se muito da Essência do filme lendo a legenda. Senti isto na pele ontem assistindo Festim Diabólico e este talvez seja um dos melhores exemplos pra ilustrar esta questão: é um filme de muitos diálogos, atuações expressivas e uma câmera inquieta. Quando se prioriza o primeiro, os outros dois, sobretudo o terceiro, são colocados num patamar inferior que a priori deveriam agir harmonicamente (inconscientemente).

Chega de falar!

SM

3 comentários:

  1. questão complicada. muitas vezes é dificil perceber as interpretaçoes e o trabalho do diretor quando se fica por conta da legenda, o filme acaba se tornando imagens que acompanham as palavras e não o contrário. mas perde-se muito mais quando não se ouve o proprio ator, as emoções empregadas na voz ou até mesmo a linguagem, muitos dialogos e expressões quase alteram o sentido e o impacto devido a dublagem. é dificil encontrar harmonia entre os elementos num filme dublado, fica a sensação de algo falso, uma interpretaçao em cima da interpretaçao original. nesse seu caso eu escolheria ver o filme novamente, com os dialogos em mente e foco no 'resto'. ou aprender vários idiomas... hehe

    elton

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. pois é.
    não sei como funciona em outros lugares, mas nos eua 90% dos filmes são dublados com a voz dos próprios atores [fiquei sabendo disso no livro do sidney lumet, 'fazendo filmes'].
    Tem casos que, mesmo com a fala grotescamente dublada, como nas boas pornochanchadas casam bem com com a proposta.

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